Translate

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (X)


Por José Manuel d’Oliveira Vieira
1816
-Governador da Praça de Abrantes o Marechal de Campo D. Luis Inocêncio Benedito de Castro, 3º Conde de Resende(a).  
-Cartografia: Planta em que se mostram os projectos dos melhoramentos da Praça d’Abrantes para a tornar inexpugnável (a).
1816 – Praça de Abrantes
DO MESMO ANO: Planta da Praça d’Abrantes com os projectos dos melhoramentos nas fortificações à época e uma planta dos perfis de algumas fortificações e fossos* existentes nos mesmos. Em qualquer uma das Plantas da Praça d’Abrantes podemos ver o local das “baterias de Stº António, reduto de S. Francisco, reduto de Stª Iria e baluarte de Stº André entre outros (c). 
*FOSSO/S: Escavação em todo o círculo da fortaleza ou só nas partes mais expostas (como foi o caso do Castelo de Abrantes), que dificultava o acesso às entradas e a aproximação às muralhas (d)
JANEIRO 1: Na “Tabela do Regulamento Organização do Exercito de 1816”, é proposto a colocação do Regimento de Infantaria Nº 20 na Praça de Abrantes AG223
JANEIRO 23: A comandar o Regimento de Infantaria Nº 20 na Praça de Abrantes o Coronel João Prior11
MARÇO 4/11: No lugar de Rio de Moinhos, Termo da Vila de Abrantes, Jorge de Mesquita Mascarenhas e Meneses, Coronel do Regimento de Milícias de Tomar estabelece o seu Quartel e inicia uma inspecção à Capitania Mor de Abrantes, ouvindo em auto de averiguações o Capitão Comandante de Ordenanças da Vila de Abrantes José Henriques de Carvalho, Capitão-mor João Marques Ferreira Annes de Oliveira, Sargento-mor Vicente Manuel Ferreira e outras testemunhas residentes no termo de Abrantes, devido a irregularidades nos mapas de sorteamento e recrutamento11
MARÇO 6/12:Por não haver no Regimento de Infantaria Nº 10 em Santarém Calceta*, e Cadeias precisas para o Soldado da 3ª Companhia Bernardo Ferreira, cumprir a Sentença do Conselho de Guerra que o condenou em dois anos de trabalhos públicos, com as mencionadas Calcetas, e Cadeias delgada, preza da perna á cintura, o Principe Regente determina que o Soldado Ferreira seja remetido para os calabouços e cumpra a sentença na Praça de Abrantes11
AHM
*Calceta, s.f Argola de ferro presa na perna, de que sai uma corrente, como trazem os forçados das galés.§. A calceta, fig. Os forçados das galés, que sayem ao serviço pelas ruas AG128
MARÇO 23: Pelas acções praticadas por militares e civis na defesa da Praça de Abrantes, no dia 4, 7 e 13 de Novembro de 1810, o Brigadeiro João Lobo Brandão de Almeida, solicita em ofício ao “Nobre Senado de Abrantes” que registe no livro da Câmara, para ficar em memória, os nomes do Ministro, Vereança, que servião naquelle tempo, e os Comandantes dos Corpos, e mais Empregados abaixo declarados:
Senado
- Juiz de Fora, Francisco José Barboza P. C. Mareca.
-Vereador, André de Moura Castanhos.
-Vereador, Dr João Vaz Soares.
Comandantes Corpos Militares
-Governador e Coronel Cmdt do Regimento Nº 13 de Infantaria, João Lobo Brandão de Almeida.
-Coronel Cmdt Artilharia, Caetano António de Almeida.
-Ten. Coronel Cmdt do Regimento Infantaria Nº 22, João Watling.
-Major Cmdt do Regimento Cavalaria Nº 9, Francisco Ignacio Pessoa de Mello.
-Coronel do Regimento Milícias Arouca, José Guedes de Magalhães.
-Coronel do Regimento de Milícias da Lousã, Jerónimo Colasso deMagalhães.
-Ten. Coronel de Milícias de Soure, Gil de Almeida Souza e Sá.  
Engenheiro da Praça
Pedro Patton
Empregados Civis
Primeiro Médico do Hospital Militar, Francisco José Siqueira.
Primeiro Comissário de Viveres, Manuel Pereira da Cruz.
Capitão-mor do Distrito
-João Marques Fernandes de Oliveira – ainda que não assistiu dentro da Praça, esteve sempre prompto a executar as minhas ordens – Hé quanto se me oferece ficando certo,que merecerá a aprovação de V. Sª., e mais Senhores da Camara11.  
ABRIL 2: João Delgado Xavier, Juiz de Fora Presidente, participa ao Governador da Praça de Abrantes que o Oficio de 23 do mês passado, submetido a votos, não fosse registado nos livros da Câmara por decisão dos Oficiais da mesma, por não ser da sua competência, nem constar que a mesma Praça, e sua Guarnição fizessem resistencia ao inimigo o qual não atacou, e que com ordem de Sua Alteza Real se registaria, quando o mesmo Augusto Senhor, se digne assim mandar […] 11 (ver: JULHO 18/SETEMBRO 4 e Anexos A/B).
ABRIL 8: A partir de Abrantes, o Brigadeiro João Lobo Brandão de Almeida, informa o Conde de S. Paio que o seu Destacamento Militar tem “contido os salteadores a uma distância de cinco léguas* da Praça de Abrantes, não se atrevem a aproximar, os habitantes os povos vizinhos e viajantes encontram-se seguros”11
*Légua (medida itinerária portuguesa equivalente a 5 quilómetros).
ABRIL 13/23:Joaquim Soares Mendes à época Procurador do Concelho, requere e é deferido o pagamento de catorze vales de azeite que forneceu por ordem da Câmara para as luzes dos quarteis desde 1 de Fevereiro de 1812 até 22 de Janeiro de 181311
ABRIL 20:A desempenhar a função de Governador Interino da Praça de Abrantes, Coronel de Veteranos, José Andrade Vidigal recebe um grupo de presos e louva a sua escolta e respectivo comandante, referindo o facto a António de Azevedo Coutinho, comandante do Regimento de Cavalaria 11 de Castelo Branco, bem como a “boa ordem, disciplina, e subordinação, em que teve o Destacamento” em serviço nesta Praça11.
ABRIL 30: Em arrecadação, na margem norte do Tejo em Abrantes: amarrações, madeiras e utensílios de cobre, ferro, madeira, maçane, pontões, pregaria e mais utensílios que se achavam em sobressalente para serviço das ditas pontes pertencentes às pontes militares de barcas de Abrantes, Punhete e Vila Velha que estiveram colocadas sobre os rios Tejo e Zêzere,”11. 
AHM
MAIO 17: Nesta data o Brigadeiro João Lobo Brandão de Almeida ainda se encontra no Quartel de Abrantes11
JUNHO 17/22: João Lobo Brandão de Almeida, já como Marechal de Campo, Comandante Interino das Armas da Beira faz despachos a partir do seu Quartel-general em Abrantes e envia a D. Miguel Pereira Forjaz relação dos oficiais e oficiais inferiores que foram encarregados da inspecção a diferentes Capitanias Mores Provincia da Beira11
JULHO 18: João Lobo Brandão de Almeida refere ao Ministro D. Miguel Pereira Forjaz como um insulto o “Acórdão do Senado” por estes se recusarem a registar nos livros da Câmara, para memória futura, o nome dos militares e civis que repeliram o inimigo nos três grandes reconhecimento que fizerão em 4, 7 e 13 de Novembro de 1810, e em todos os mais acontecimentos […] Sobre os signatários do “Accordãorefere que à época dos acontecimentos, à excepção do Presidente João Delgado Xavier que era Juiz dos Órfãos da Décima Freguesia de Nossa Senhora dos Mártires de Lisboa […] todos abandonarão,a Praça de Abrantes, retirando-se deste ponto, conduzidos de medo […] 11. 
SETEMBRO 4: Em execução da Ordem de El Rey Nosso Senhor (Aviso de 22 do mês passado), se mandem riscar nos mesmos Livros o Accordão, que a Camera fizera lançar nelles com resposta negativa áquelle officio […]11. 
NOTA: Por se julgar de interesse para a história local, e, por contradizer o “Accordão” do Senado de Abrantes” se reproduzem dois relatórios escritos à época dos acontecimentos (Novembro de 1810), por Brandão de Almeida, os pormenores das acções militares11  (ver Anexo A e B).
OUTUBRO 31: Empregados e doentes no Hospital Militar de Abrantes: 1 director, 1 capelão, 15 empregados de saúde, 9 empregados da fazenda, 66 doentes11
AHM
NOVEMBRO 13: Para alojar oficiais na Vila da Praça de Abrantes, Duarte José Fava refere ao Visconde de Juromenha: Cazas pertencentes a Maria Micaela, Viuva do Dor Francisco Gameiro, em que se projectava fazer Quartel para Officiais do Destacamento d’Artilharia, não tem tanta comodidade, como a Barraca projectada para este mesmo fim, como evidencia a planta junta Nº 1…11. 
Nota: Não foi possível localizar o nome dos proprietários e a casa em questão. No entanto, se algum dos, visitantes desta página tiver a informação agradeço. A cisterna que está localizada na planta da casa pode ser uma pista.

Abrantes - Casa de Maria Micaela, Viúva do Dor Francisco Gameiro
AHM
Anexo A
Relatório do Governador da Praça de Abrantes, João Lobo Brandão de Almeida para Manuel de Brito Mouzinho (04-11-1810)
Ao momento, que estava oficiando a Vossa Senhoria, e aprontar para mandar o Correio da Posta Militar me avisarão que vinham Tropas de Sul do Tejo; fui imediatamente ao Castelo observar o que era, reconheci, que eram Espanhóis, e eram setenta Cavalos, que se vieram … (!) ao Brigadeiro D. Carlos de Espanha; um momento depois me vieram dar parte, que os Inimigos se avizinhavam da parte de Punhete sobre Rio de Moinhos; fui a Santo António, e observei o Inimigo, porem … (!), que o nosso Piquete estava postado para diante da Esplanada, que está cobrindo as duas estradas, que ali estão, estava já fazendo fogo com a avançado do Inimigo, e o Tenente Coronel Watting tinha saído com a maior parte do seu Regimento para suster, e obstar o Inimigo, fui então obrigado a fazer sair quatrocentos homens, duzentos do Regimento Nº 13, e duzentos do Regimento de Cavalaria Nº 9 para cobrir os flancos das alturas, e evitar, que o Inimigo pudesse cortar o Regimento Nº 22, que com demasiada coragem se tinham engajado, fiz vir duas peças de Artilharia de 3, com que lhe fiz alguns tiros, a Companhia de Caçadores do Regimento Nº 22 por toda a parte fazia fogo com uma bravura incrível: não sei, que tivéssemos morto algum, dos Inimigos dizem, que vários. Eu agora dei uma ordem para reprimir a coragem dos nossos Militares, que se devem curar os cavalos, quando se necessite, e forem mandados. Remeto a Vossa Senhoria carta do Capitão-mor de Abrantes, que recebi ao pôr do Sol. Torno a repetir a Vossa Senhoria, que D. Carlos está guardando a Ponte, e os Vaos; as posições estão tomadas, e só no último caso se lhe deitarão fogo.
Deus Guarde Vossa Senhoria
Quartel de Abrantes 4 de Novembro de 181011
Anexo B
Relatório do Governador da Praça de Abrantes, João Lobo Brandão de Almeida para Manuel de Brito Mouzinho (07-11-1810)
Tendo tido noticia ontem, que os Franceses tinham retirado a maior força, que estava em Punhete, passando toda a Artilharia, Gados e a maior parte da Tropa para o lado de Norte, combinei com o Brigadeiro D. Carlos de Espanha, que seria mui útil atacarmos a gente, que ali estava, destruirmos a Ponte, e queimar-lhe seis ou sete barcos que tinham acarretado para ali em Carros; fez D. Carlos passar para a parte de cá a sua Cavalaria para espiar o Campo quinhentos homens de Infantaria, e com mil e quinhentos de todos os Corpos da Guarnição, marchamos com intenção de irmos a Punhete, porém logo que passamos Amoreira entrou a Cavalaria Espanhola a bater-se com os Franceses e as Companhias, que servem de Caçadores também fizeram fogo continuado de sorte que os Inimigos retiraram-se sobre Montalvo, eu fiz adiantar duzentos homens, D. Carlos trezentos, porem os Franceses se formarão em Linha de Batalha na altura das Casas do Capitão Mor; e como disseram alguns paisanos, que eles terão trezentos a quatrocentos Cavalos, não nos detivéramos ataca-los, e depois de um tiroteio toda a tarde nos retiramos em boa ordem sem perder um só homem, nem ferido, e sabemos, que os Inimigos perderão três homens, e só quatro Cavalos de D. Carlos foram feridos. Os paisanos continuam a fazer uma guerra terrível aos Franceses, matando neles continuadamente, e hoje me remeterão para aqui três prisioneiros vindos de Espanha.
Deu Guarde V. Senhoria
Quartel de Abrantes 7 de Novembro de 181011
 11 AHM.
(a) Despacho 17 Dezembro 1815 Gazeta Lisboa Nº 98 de 1816 – pg. 435.
(b)Angelo Centazzi 2º Tenente do Real Corpo d'Engenheiros – Cota: 51-1-1-1 DSE CRT6/2002 DIE.
(c) Cota: 156-1-1-1 DSE CRT24/2002 DIE). Cota: 158-1-1-1 DSE CRT29/2002 DIE.
(d) Dicionário de Arquitectura Militar – Nunes, António Lopes Pires pg. 12. 
AG 223 Pg 416.
AG 128 Pg 324.

HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (IX)

Por José Manuel d’Oliveira Vieira
João Lobo Brandão de Almeida foi Governador da Praça de Abrantes até Dezembro de 1813. Durante o ano de 1814, o Ministro da Guerra ainda consultava Brandão de Almeida e este ainda se considerava Governador da Praça. A 12 de Outubro de 1815, João Lobo Brandão de Almeida foi promovido a Marechal de Campo efectivo. A 17 de Dezembro do mesmo ano é nomeado para o comando da Praça de Elvas, que passou a acumular a 28 do mesmo mês, com o exercício das funções de Governador das Armas do Alentejo.
1814 – CARTOGRAFIA MILITAR
1814 - Castelo de Abrantes
(veja-se o subterrâneo assinalado na Casa do Governador)
(386-1-1-1 DSE CRT41/2002-DIE)
1814
JANEIRO 1: Agostinho Vaz Garcia, Capitão de Ordenanças da Freguesia de S. João Batista, que vagou por morte de Vicente Delgado Xavier 10.
JANEIRO 10: José Delgado Xavier, Capitão de Ordenanças da Companhia de Souto, que vagou pela demissão de António José Raposo 10.
FEVEREIRO 4: Falta de fardamentos para fazer face ao rigor do inverno leva grande número de sentenciados ao hospital. Caetano António de Almeida, Governador Interino da Praça de Abrantes solicita ao Ministro da Guerra, fardamentos não recebidos para o presidio da Praça de Abrantes desde 1812 11
FEVEREIRO 8: António Estevães, Capitão de Ordenanças da Freguesia de Rio de Moinhos, termo de Abrantes, que vagou pela demissão de Manuel de Oliveira Morgado 10.
FEVEREIRO 9: Manuel Lourenço, barqueiro que foi do “Arraes” Nº 412, não compareceu no Depósito Geral de Alcântara para dar conta da falta de “Arroz” que transportou para a Praça de Abrantes. Desembargador Domingos José de Carvalho indigna-se com o Juiz de Fora de Abrantes por não cumprir a ida de Manuel Lourenço ao Depósito de Alcântara 11
MARÇO 15: Nomeado para outras funções fora de Abrantes, Jose Gonzalez Bobela, Fisico Mor do Exército e médico do Hospital Militar de Abrantes, deseja continuar na Praça de Abrantes como médico territorial ao serviço do Príncipe e particulares 11
JULHO 1/15: Nestas datas são remetidas pelos comandantes dos Corpos do Exército ao Intendente Geral da Policia relações com o nome, naturalidade e idade dos homens e mulheres (não militares) que acompanharam os militares nas diferentes batalhas da Guerra Peninsular (sobre este assunto: ver nesta página anexo A) 11
JULHO 2: Por não terem respondido em Conselho de Guerra nesta Praça (Aviso de 28 de Maio), a situação dos 26 “réos” militares desertores, é justificada pelo desembargador José António de Oliveira Leite de Barros, ao Ministro Forjaz de Almeida 11.   
JULHO 23: Entre os presos militares no Castelo de Abrantes encontra-se, António Luiz da 3ª Companhia do Regimento de Artilharia Nº 1, sentenciado à pena de morte (forca), por ter desertado em tempo de guerra (30 de Julho de 1810) 11.  
JULHO 25: Caetano António de Almeida, Governador Interino da Praça, informa Conde de S. Paio não ter chegado ao Porto de Abrantes, o barco com fardamentos e equipamentos destinados aos Esquadrões de Cavalaria Nºs 6/11/12 que se encontram em Vila Velha. Caetano de Almeida refere a incerteza da viagem Lisboa/Abrantes devido à falta de água nesta época 11
JULHO 26:Ao “sol-posto” chegou ao Porto de Abrantes o barco com os fardamentos destinados aos Esquadrões de Cavalaria Nºs 6/11/12. Desembarcados os fardamentos, seguiram de imediato para Vila Velha em três carros 11
Uniformes 1814
(desenhos Carlos Ribeiro)
JULHO 27: Já no Comando da 2ª Brigada de Infantaria, Brandão de Almeida, numa carta em que solicita ao Ministro da Guerra a sua deslocação à Capital para tratamento médico, refere, ainda se achar como Governador da Praça de Abrantes 11
JULHO 30: Chega a esta Praça o Regimento de Cavalaria Nº 711
AGOSTO 3: Marchou desta Praça para Chaves o Regimento de Cavalaria Nº 9. No mapa com o itinerário é previsto o RC9 chegar a Chaves no dia 2811
AGOSTO 31: Nas diversas requisições para pagamento de géneros não fornecidos a esta Praça, vinho, sal, azeite, pão e carne, são os menos necessários no Depósito de Abrantes 11
Abrantes - Guia Rações n/fornecidas ao Reg. Cav. Nº 9
SETEMBRO 2:Ministro da Guerra ordena que o Capelão do Regimento de Cavalaria Nº 5 examine e veja se presos comuns e sentenciados estão confessados. Os que não estejam deve ser cumprido o preceito da Igreja 11
SETEMBRO 3:Nicolau António de Mello Barreto, Tenente reformado da 2ª Campanha do 5º Regimento de Cavalaria, Caserneiro do Quartel da Praça de Abrantes, requer ao Conde de S. Paio, voltar ao serviço efectivo por se achar em condições de saúde 11
SETEMBRO 8: O Regimento de Infantaria de Abrantes, desmobilizado da Guerra Peninsular regressa ao quartel 19.
SETEMBRO 10:Do Regimento de Cavalaria Nº 5 que marchou para Évora, ficou no Presidio de Abrantes o Soldado Lourenço José da Cruz, por alcunha “Castelhano”, sentenciado a morrer enforcado nesta Praça. Por não terem chegado à Praça de Abrantes os algozes requeridos pelo Brigadeiro João Lobo Brandão de Almeida em 15 de Novembro de 1813, sentença não foi executada 11
Nota: Acerca da execução acima mencionada, um documento com data de 19 de Novembro de 1813 refere manda hir pª Abrantes dois Carrascos, para se ajudarem hum ao outro, visto serem velhos, na execução do Réo 11. Um segundo documento, com data de 16 de Novembro de 1814, do Palácio do Governo, assinado por Francisco de Paulo Leite refere ter o “réo”, Soldado Lourenço José da Cruz, sido remetido da Praça de Abrantes para a Capital, para ser executado 11
SETEMBRO 26: Do Porto de Abrantes, partiram para a Capital (Lisboa), trinta presos sentenciados que vão ser entregues à disposição do Coronel Duarte José Fava 11
NOVEMBRO 3: Manuel José Raposo, Correio Assistente de Abrantes, solicita ao Subinspector dos Correios medidas eficazes para acabar com os ladrões nas estradas por onde transita o estafeta 33. 
Nota: Foi durante a Campanha Peninsular que se organizou pela primeira vez a posta militar, a qual prestou então serviços relevantes. Durante as lutas civis, até 1851, a posta militar aparece frequentemente como auxiliar valioso para o prosseguimento das operações 34. 
-No link https://coisasdeabrantes.blogspot.pt/search?q=correio pode pode ver: Abrantes – Correio do Reino – Posta de Abrantes 1808/1817.
1815
-A Irmandade dos Passos pagou pela Guarda de Honra e musica militar em Sexta-feira Santa, à noite 8.000 réis 91. 
JANEIRO 9: Por ser matéria delicada, D. Miguel Pereira Forjaz, ministro e secretário de Estado dos Negócios da Guerra, pede a João Lobo Brandão que o informe particularmente dos prejuízos causados durante a última guerra aos proprietários dos prédios demolidos ou arrasados 11
MAIO 18: António José da Cunha Salgado, 1º Tenente do Real Corpo de Engenheiros, da Praça de Abrantes participa de António Vicentinho por ilegalmente estar a construir uma casa no sítio de Vale de Judeos a 112 braças distante da obra de Stº António e a 52 braças do Reduto do dito 11
JUNHO 5: Em vista do proprietário necessitar da casa para os pais, o ex-governador da Praça de Abrantes, João Lobo Brandão de Almeida, procura arrendar uma casa decente nesta Praça. Neste documento é referido como decente a casa dos herdeiros do Doutor Rodrigo Soares, habitada por renda a Diogo da Fonseca, major reformado, pessoa das principaes de todo o distrito 11
JUNHO 20: Para as obras de Navegação do Rio Tejo, conduzidas pelo Tenente Coronel do Real Corpo de Engenharia Anastácio Joaquim Rodrigues foram utilizados explosivos do Paiol Geral de Abrantes. Uma placa com a data 1815, naquela que terá sido a casa da guarda, ainda pode ser vista no local do Paiol Geral 92+Maia.

Paiol Geral de Abrantes – Ano 1815 
(placa existente no local)

Nota: Já em 1813, para conduzir munições que o governo português precisava ter em alguns portos do alto Tejo, Anastácio Joaquim Rodrigues, Tenente Coronel do Real Corpo de Engenheiros, foi encarregado de cortar embaraços de navegação e abrir caminhos de sirga, desde Abrantes até Espanha 26. Sobre a navegabilidade do Rio Tejo ver: HISTÓRIA MILITAR DE ABRANTES (VIII) anexo A.

JUNHO 28: Dos 310 sentenciados em trabalhos na Praça de Abrantes, 71 estão no hospital, 1 no quartel e 238 encontram-se prontos. Outros 197 presos encontram-se: final de pena 26, com menos de seis meses 123, de seis meses a um ano 46 11
JULHO 15: Ódio, rancor e falsas afirmações do Coronel Manuel Duarte José Favas, sobre as feitorias realizadas na Praça de Abrantes por Brandão de Almeida, levam este a escrever ao Ministro da Guerra. Indignado por tais acusações, Brandão de Almeida faz uma referência aos “Macçoens de Abrantes”  11
AGOSTO 28: Reparações urgentes no telégrafo em Abrantes - O General Azedo -Lisboa 28 Agosto 1815.
Participou-lhe o 1º Tenente de Engenheiros, Director das obras de Abrantes, qu o Comandante da Artilharia lhe tinha dito, que para evitar alguma desgraça desmanchasse o Telegrafo da Torre do Castelo, que está a cahir por se acharem podres as madeiras, e que já faltão algumas: e perguntava, o que devia fazer.
Azedo diz, que preciza ser autorizado para mandar remover as madeiras do dito Telegrafo supposto o estado da sua ruína […] 11


Telégrafo de Abrantes

Castelo de Abrantes
(sinal de telégrafo na planta)
SETEMBRO 12: Sem autorização superior Tem. Salgado do Real Corpo de Eng.ºs Constrói uma pequena casa próximo do reduto do forte de Santo António na Praça de Abrantes 11
OUTUBRO 10: Por Avizo de 2 de Outubro e publicado na Ordem do Dia 10, passou a comandar a Praça de Abrantes o coronel de veteranos José António Vidigal em substituição do Brigadeiro João Lobo Brandão 11
OUTUBRO 26: Para render o Ten. Salgado, chega a esta Praça, José Damasceno, Tenente do Real Corpo de Engenheiros 11
DEZEMBRO 6: Barris de aguardente destinados ao Comissariado Britânico saem de Abrantes sem guias 11
DEZEMBRO 23: João Grosmite (estrangeiro), Sargento de Cavalaria da Praça de Abrantes, expõe às entidades superiores a ideia de haver abundância de cavalos para os Corpos do Exército á semelhança da Nação Húngara e oferece os seus serviços para dirigir esses serviços 11
10 Nuno Gonçalo Pereira Borrego – Ordenanças e Milícias de Portugal.
11 AHM
19 Da Crise do Antigo Regime à Revolução Liberal 1799-1820 - Fernando de Castro Brandão - Ano 2005
26Jornal de Coimbra - Volume 4 - pág. 83
33 Doc. 4148 Ano 1814 da Fundação Portuguesa de Comunicação.
34 O Correio Origem e Progressos das Instituições Postais em Portugal, pg. 35 – Ernesto Madeira – Ano 1882.
35 Foto cedida por: Maia.
91 Doc. Diogo Oleiro
1814 - CARTOGRAFIA MILITAR - Planta Castelo de Abrantes: DIE
Anexo A
MULHERES ABRANTINAS NA GUERRA PENINSULAR
À semelhança do que se passou com as cantinières (aguadeiras), mulheres francesas a quem os regimentos davam autorização para a venda de comida, bebida e que tinham como única obrigação a de serem casadas com militares do dito regimento, também as mulheres portuguesas seguiram o exército português durante a Guerra Peninsular. 
Como resistentes da guerrilha popular, na retaguarda das batalhas, no apoio ao exército nos abastecimentos, recolha água e lenha para as fogueiras, cozinhar, lavar e coser roupa, na qualidade de esposas ou como companhia feminina durante os longos meses das campanhas, a mulher portuguesa continua ausente da historiografia da Guerra Peninsular.
                Na falta de desenhos ou reproduções da época, das “vivandeiras” portuguesas, recolhi do filme “Linhas de Wellington”, uma imagem que representa bem o trabalho das mulheres que acompanhavam as nossas tropas durante as “Invasões Francesas”. O filme foi realizado por Valeria Sarmiento, teve produção de Paulo Branco e Argumento de Carlos Saboga (fig. 1).  
fig. 1 - Vivandeiras (cantinières)
            Rara é a cidade, vila ou lugar que não glorifique um acontecimento da Guerra Peninsular, mas nunca a mulher portuguesa (fig. 2).
fig 2 -Abrantes - Jardim do Castelo
Os monumentos aos heróis da Guerra Peninsular de Lisboa e Porto são excepções por na sua concepção terem esculpido a bronze a imagem das seguidoras do exército no apoio ao combatente e esforço de guerra (fig. 3).
                 fig. 3 - Porto - Monumento aos heróis da Guerra Peninsular
Nas listas elaboradas pelos Corpos do Exército português (1814) encontram-se várias mulheres abrantinas não militares que acompanharam os exércitos. Para constarem em futuros eventos sobre a Guerra Peninsular, “ABRANTES MILITAR”, publica neste pequeno espaço a lista das mulheres naturais de Abrantes, Aldeia do Mato, Punhete=Constância, Gavião e Sardoal, que com coragem, seguiram os militares nas campanhas peninsulares11:
Guerra Peninsular mulheres (não militares), de Abrantes/Punhete/Gavião/Sardoal/Aldeia do Mato que acompanharam os Exércitos  
Homens/Mulheres
Naturalidade
Idade
Observações
Angelina Rosa
Abrantes
26
Pertence tambor 
Maria do Carmo
Abrantes
30
Casada com tambor 
Theresa de Matta
Abrantes
39
Casada com soldado 
Francisca Maria
Abrantes
28
Casada 
Ana Rodrigues
Abrantes
20
Pertence soldado 
Ana Maria
Abrantes
24
S/anotação
Maria Clara
Abrantes
23
S/anotação
Maria José
Abrantes
25
Casada 
Maria Brozia
Abrantes
20
Anexa ao Regimento Nº 11 
Maria Rosa
Abrantes
22
Viúva sargento. António José falecido 27FEV1814 Baiona 
Maria de  Sarey
Aldeia do Mato
21
Seguidora do Exército 
Isabel de Ferces
Punhete
31
Pertence soldado 
Martta Joaquina
Gavião
25
Pertence Sargento 
Maria Leitão
Gavião
24
Pertence a soldado 
Joaquina Rosa
Sardoal
20
Casada com tambor-mor 
Maria da Asumpção
Sardoal
39
Pertence soldado do Regimento Cavalaria Nº 6 
            Por interesse histórico, publica-se o nome dos homens (não militares), naturais de Abrantes, Rio de Moinhos, Sardoal, Vila de Rei e Mação que acompanhara e serviram os Regimentos de Infantaria e Batalhões de Caçadores durante as campanhas, nas mais diversas funções 11
Guerra Peninsular - Homens (não militares), de Abrantes/Sardoal/Vila de Rei/Rio de Moinhos/Mação que acompanharam os Exércitos  
Homens/Mulheres
Naturalidade
Idade
Observações
José António (condutor)
Abrantes
27
Veio do Exército Britânico 
José da Moutta (criado)
Abrantes
14
Veio do Exército Britânico 
José Pinto (servindo na tropa)
Abrantes
12
S/outra anotação
José d’Abrantes (bagageiro)
Abrantes
28
Idem
João Agnes (criado de serviço)
Abrantes
11
Idem
José Montes (Alfaiate)
Abrantes
19
Idem
Luis Marques
Abrantes
18
Idem
António Martins (bagageiro da pólvora)
Abrantes
33
Idem
António de Oli…(!)
Rio Moinhos
(!)
Idem
Mauricio d’…(!)
Sardoal
21
Idem
Francisco António Aparicio (bagageiro)
Vila de Rei
27
Idem
Francisco Serafim (criado)
Mação
31
Veio do Exercito Britânico 
         Sobre o papel das mulheres durante as Invasões Francesas e a tomada de Abrantes (17 de Agosto de 1808), um artigo escrito no ”Boletim Cultural do CIRA", com o título “Figuração da mulher na Guerra Peninsular – Contributo para a história de Género”, Graça Soares Nunes, diz-nos:

(Cira – Boletim Cultural 11 – 2011-2013– Graça Soares Nunes – pg 128)